Entry: POESIA 16.1.06



Meu primeiro beijo em Clarice Lispector

Oz

Não uma crônica.
Não um conto.
Não.

Uma declaração de amor.
Sim.

Do amor que ainda ostenta na graça
a marca do primeiro beijo.

O primeiro beijo
ou o primeiro livro,
aberto e lido pela alma,
já não vejo diferença.

O beijo,
A Paixão Segundo G. H.

A Paixão segundo Clarice...
Ah, Clarice!

Tu sabes,
só tu,
do sal nos meus olhos.
Porque em teu formato de livro,
beijaste-os.

Tu sabes,
só tu,
do sal no meu coração.
Porque em teu formato de memória,
beijaste-o.

Tu sabes, meu amor.
Sabes da paixão que me arrebata.
Sabes da paixão que não pode ser.

E isso dói...

Sabes daquela a quem um dia beijei.
Beijei em meu formato de livro.
Beijei em meu formato de memória.

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