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Em homenagem ao show de ontem (que a maioria das pessoas verá hoje), reedito o post que fiz 29 de agosto, sobre o novo CD deles.
De quatro? Só um pouquinho...
Esse aí do lado é o novo CD dos Los Hermanos, Quatro. Não sei se falar essas coisas na internet dá cadeia, mas eu confesso que não resisti aos encantos do Emule e economizei os trinta reais do disquinho.
O Los Hermanos é uma banda muito estranha. Como toda banda de sucesso, muito sucesso, acaba estimulando ódio mortal de um lado e adoração fanática do outro. É natural. Eu gosto muito deles, portanto não sinto nos ouvidos muitos dos defeitos que reclamam por aí. Mas devo dizer que chamá-los de gênios da MPB é não só leviano quanto um insulto à inteligência. São garotos que há pouco saíram da faculdade, são talentosos, sem dúvida, e têm sobre si uma aura tão cult - bastante estimulada pelos próprios, inclusive - que conseguem fugir completamente do comercial e, mesmo assim, levar uma legião de pessoas de todas as idades, credos, normalmente da classe média intelectualizada, a seus shows.
As letras dos moços são completamente fruto de suas cabecinhas, um festival de subjetividade. É quase uma bandeira do "eu, sozinho". E acho que é assim que música deve ser feita. Mas acho que ainda exageram nos verbos no infinitivo, que deixam as letras muito vagas e tudo com um certo tom de conselho ao ouvinte. E, por isso, soam prepotentes às vezes. Principalmente as letras do Rodrigo Amarante, que já tem um tom arrogante na voz. As letras do Marcelo Camelo são melhores, apesar de também carregar nos verbos. Adjetivos, caros! Substantivos! São coisas boas, podem usar sem medo!
O Camelo amadureceu muito suas letras. Largou essa mania de falar "samba" dentro dos seus sambas. E já que todo mundo compara ele com o Chico Buarque, considero que o próprio Chico sofreu muito com essa mania de metalinguagem no início da carreira. Ouvi há bem pouco tempo o primeiro disco de Chico, que levava seu nome. É basicamente um disco de sambas. Não contei, mas quase todos - se não todos, sem exagero - tinham a palavra "samba". No segundo disco do nosso blue eyes ele já está bem mais relaxado, mais "Chico" mesmo. Vejo o Camelo como um grande compositor no futuro. Fico feliz ouvindo o Camelo hoje imaginando o que ele vai ser quando "crescer". Mas "(...) coração que teima em bater" é meio over.
A respeito da gravação de "Quatro" ("de quatro" é foda), foi um alívio. O último, Ventura, tem ótimas músicas, mas a gravação é vergonhosa. E logo um disco deles, tão preocupados com a sonoridade... Esse novo é muito bem gravado. Ainda bem.
Em notas gerais, é um disco de pequenas orações deprimidas cantadas ao pé do ouvido, com pouquíssimos instrumentos e muito bom gosto. Há exceções mais comerciais, como "Vento", de Amarante. Não é um disco de rock. É música. Mas tem pitadas de algumas influências claras. Um samba, que lembra Chico. A música "Sapato novo" caberia perfeitamente na voz de Adriana Calcanhoto. E Raul Seixas, o Raulzito, teria gostado de ter feito (nossa... quanto verbo... pareço até o Amarante...) a música "Horizonte distante", uma viagem meio psicodélica, quase lisérgica. Será que o Camelo... deixa pra lá. E a quarta, "Paquetá", de Amarante, é uma salsa claramente influenciada pelo que faz em seu projeto paralelo, Orquestra Imperial.
Eu adorei o disco. Não me surpreendeu, como a todos, por ser um disco mais devagar que os outros. Mas sim pelo bom gosto. Tem muita classe. Só quero saber como serão os shows. Eles, que foram revelados no festival de rock Festivalda e tocaram em palcos grandes em todas as turnês anteriores, vão ter que diminuir a onda e investir nos pocket-shows. Saiu do clima de festival de rock para, digamos, algo mais Tim Festival. Eu ainda prefiro o Bloco do Eu Sozinho. Mas é porque eu sou chato mesmo.
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