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27.4.06
FICÇÃO

Snooze (1)

Ela abriu os olhos e olhou para o relógio pendurado na parede, bem à sua frente. Não fazia sentido. Será que passaram apenas duas horas? Parecia totalmente refeita da noite anterior. Decidiu duvidar do que via. Não havia pressa para acordar. Era domingo, nenhum compromisso, nenhum raio de sol no rosto ou barulho para incomodar. Nada. Tudo normal. Virou-se para o lado e tentou dormir algum tempo mais, só para aproveitar a rara oportunidade. Não estava frio nem quente debaixo de seu edredom. Vestia apenas roupa de baixo. Chegou tão cansada que não teria forças para vestir o pijama, principalmente depois de quase cair algumas vezes durante a aventura de livrar-se das roupas suadas. Gastou seu último estoque de energia para estender a coberta por cima do corpo. Olhou o relógio e fechou os olhos. Assim o fez mais uma vez, duas horas depois, reclamando um despertar aparentemente acidental.


Posted at 16:39 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

6.2.06
INTERNET

Inacreditável e Hilariante Perfil
 
 
Nome: Bandido

Idade: 8 anos e 7 meses

Signo: Provavelmente Leão

Residência: Dois cercados numa área de 48 mil metros quadrados na Fazenda Santa Martha, em Icém no interior de São Paulo.

Dieta: Diariamente, como 30 quilos de silagem, à base de milho, misturada com 7 quilos de ração.

Treinamento: Como o craque Romário, Bandido não gosta de treinar. Diferente dos ginastas, os touros de rodeio não praticam os saltos, que podem chegar a 1 metro de altura. O treinamento consiste em pôr o bovino para trotar e nadar. Com isso, o animal ganha musculatura e força para as manobras.

Dica de beleza: De dois em dois dias, faz o casco: lixa e passa uma solução com iodo. Um procedimento parecido com o do pedicuro.

Carro: Ele viaja sozinho numa carreta de 14 metros de comprimento. Um privilégio. Touros normais têm de dividir o mesmo veículo com outros 20 da espécie.

Mania: Cavucar a terra com chifre. Gosta também de esfregar o rosto na terra e mugir para provocar outros touros.

Ele não gosta: Bois, touros, cavalos e humanos. Todos têm de manter pelo menos 3 metros de distância. Para tratar de Bandido, os peões precisam imobilizá-lo no tronco.

Melhor amigo: O boi Guarda-Costas. O único que Bandido permitia em seu cercado. Com o boi, o astro aprendeu a nadar. Há um ano, Guarda-Costas morreu afogado. Hoje além das vacas, Bandido só deixa as galinhas tocarem nele.

Irmão: O touro Inimigo. Eles se separaram em 1999 e o paradeiro dele é desconhecido.

Herdeiros: O touro Filho do Rei, 2 anos (ele deve estrear em rodeios neste ano), e a vaca Estrelinha, 4 meses. Dizem que mais quatro vacas são filhas dele. A parternidade ainda não foi comprovada.

Namorada: Bandido teve um romance com a vaca Estrelinha. O affair durou uma noite.

Primeira transa: Aos 20 meses, pulou a cerca e ficou com uma vaca em Rio Verde (GO). Em geral, a iniciação sexual dos touros começa aos 18 meses.

Características:

Bandido, como todos os 190 touros da Cia de Rodeio Paulo Emílio, nasceu para pular, com uma característica que o difere dos demais: o pulo alto e certeiro.

Essa característica fez com que ele se tornasse uma referência do mundo do rodeio, conquistando o título “Arena de Ouro”, como Touro Duro na Queda, em 2003 em Jaguariúna. Comprado no Paraná, o touro brilha em arenas de todo Brasil, desafiando a coragem e bravura de peões brasileiros e estrangeiros.


Alimentação balanceada:

Para garantir excelentes desempenhos dentro da arena, Bandido tem espaço para se locomover, além de uma maratona de exercícios diários.

Ele recebe ainda uma alimentação balanceada e assistida por veterinários, que desenvolveram uma ração especial para atender as necessidades do touro. A alimentação específica para o touro Bandido é um dos fatores que garantem o show na arena.


Posted at 16:28 by editor
Comentário (1)  

2.2.06
INTERNET

Imperdível
 
 
Hahaha... Estou rindo até agora.

Posted at 19:17 by editor
Comentários (3)  

1.2.06
REVISTA

Cara preta
 
Quando três negros e apenas um branco aparecem estampados na capa de Caras, é porque alguma coisa muito estranha (e boa, espero) está acontecendo no mundo.

Posted at 12:18 by editor
Comentário (1)  

30.1.06
JORNAL

Joaquim de toda segunda-feira. Boa semana!

Miscelânea de verão

Eu acredito em lendas urbanas e a mais querida de todas é aquela que, ao registro acima de 40 graus nos termômetros, os trabalhadores do Brasil seriam dispensados para suas casas. Não tem feito outra coisa no Rio. Quase 50 graus. Por isso declaro para os devidos fins que me sinto no direito. Fui. Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí atrás do velho samba. Em Maracangalha. Amaralina. Atrás da cajuína escondida em Teresina. Uma tarde ao sol que arde em Itapoã. Viver de brisa em Ibiza. Etc. Tudo, menos crônica com redação própria. Fernando Sabino já escreveu todas as que eram necessárias. Não há mais nada a se publicar por ora. É só sal, é só sol, é só sul, é só sexo. As palavrinhas, que não são bobas, me escaparam todas no doce balanço a caminho do mar. Não as condeno. Corri atrás. Songamongas, elas; sunga branca, eu. Sem culpa. A Justiça do Trabalho apóia e dispensa de idéias de larva própria quem recebe um bafo desses no cangote. Hoje não tem Fernando Pessoa. Nenhuma historinha, nenhum passeio pelos recantos do Rio. Nenhuma pedra no cadáver de John Lennon. Se precisar, mostro o atestado médico liberatório. Está lá: cérebro de fusca. Ferveu. Remédio: jogar água-de-coco no motor. É o que faço, direto de Porto de Galinhas, direto com a mais doce das Dorinhas. Forças tive apenas aquelas para abrir o velho caderno de anotações, o grande amor de cronista, e copiei o que segue. “Se o latim é uma língua morta, por que falam tanto em cunilingus ?”, escreveu Ivan Lessa, um cronista genial que se mandou do Brasil há 40 anos justamente por isso. Gente assobiando e essa calígula do cão. Impossível, 50 graus, cronicar ligeiro. Sérgio Porto compreenderia. Estou mais mole do que bochecha de velha, a imaginação mais dura que bunda de estátua, mais por fora que umbigo de vedete e o papo mais monótono que itinerário de elevador. O aquecimento do planeta me pegou de jeito, e eu me abano apenas com o vento que os grandes pensadores assopraram antes na minha nuca. O caderninho de anotações é o inconsciente coletivo de um escritor. Vai entender o que o levou a registrar, 30 anos atrás, a palavra palpabilidade. Urucubaca. Salacidade. Obnubilado. Apersand. Juvenilidade auriverde. O caderninho de anotações é o bloqueador solar do cronista no verão. Protege os miolos. Ben Schott, escritor inglês, foi mais esperto ainda. Ficou rico com essa preguicite . Abriu seu caderninho doméstico de curiosidades. Fez um livrinho delicioso, “A miscelânea original”, em que junta a relação dos nomes dos diretores do FBI com a letra da “Internacional comunista”, termos militares úteis em somali, a fórmula do dry-martini e milhares de outras informações sem nexo entre si. Nada é dele. Apenas o saque. Como deve ser bom viver de sacação, calção e cação! O livro acabou de sair. Aprendi nele que os nomes do demo começam em anhangá, passam por farrapeiro, mais adiante por sarmento, até tinhoso, tisnado e zarapelho. São 37 as alcunhas do coisa-ruim. Ben Schott deve estar no Caribe cercado das coisas-boas . Talvez no gelo suíço cercado das coisas-quentes . Seguirei seus passos. Só pobres derretem nos caldeirões tropicais de 50 graus. Falta ânimo até para abrir parágrafo. O calor é tanto que passarinho está voando com uma asa. Com a outra ele se abana. Perdão. Mas a lei socorre quem sofre da falta de ventilação nas idéias. Graças a Getúlio Vargas, pai nosso, hoje me dispenso de exibir a humilhação dos miolos fritos descolando sobre o teclado. Solto a mão grande sobre o patrimônio alheio e pego de um, pego de outro, pego de Schott o que ele pegou da Humanidade. Movimento, respiração, sensibilidade, crescimento, reprodução, excreção e nutrição — saibam todos os que não estão mergulhados embaixo de uma onda profunda — essas são as características das coisas vivas. Estou fora delas. Mortinho da silva. Ingleses sabem tudo, e que o graaaande Schott me seja inspiração. Hoje não tem raciocínio em bloco. Inserido no contexto ficava a turma do “Pasquim”. Por ora é tudo descontextualizado pelo suor. Nem escrever, nem pensar. Não convidem esses dois para a praia no Coqueirão, de onde abro minhas anotações de décadas e mando essas notícias. Um dia junto todos os caderninhos que me acompanham. Faço como Schott. Inicio a arrancada para o que interessa. Caribe. Assim. Ponho numa página. Perguntaram a Nelson Rodrigues: “Como vai indo, meu velho?” “Na obscuridade mais profunda”, devolveu o dramaturgo. Noutra página coloco a atriz Mae West. Ela confessou para uma amiga que durante muito tempo se envergonhou da vida que levava. Depois tomou jeito. “Parei de me envergonhar”. Tenho uns quatro cadernos desses, garantia de quatro verões futuros na flauta. Usufruindo do alheio. No sapatinho. Na maciota. Pessoas normais colocam moedas na poupança. Cronistas de jornal, na solidão de seus catres, depositam pílulas desconexas nos cadernos. Torcem para que um dia elas façam sentido. É o que agora tento. Trio Iraquitã, trio Nagô, trio maravilhoso Regina, trio de osso, trio Los Panchos, trio Esperança e trio Parada Dura. Noutra página: Pelé-Coutinho, bipolar, Oscarito-Grande Otelo, dupla exposição, Cosme-Damião, Pé Quente-Cabeça Fria, Jane-Herondy, pedra-testa. Uma miscelânea de verão transforma memória, palavras soltas, frases curiosas, em bolas de frescobol. Joga-se tudo para o alto. Raquetadas ao léu. Pelo menos fazem vento. De Peter Lorre para Humphrey Bogart em “Casablanca”. “Por que você me despreza?”. De Humphrey Bogart para Peter Lorre em “Casablanca”. “Eu te desprezaria se pensasse em você”. Nada necessariamente faz sentido com o toldo que nos faz sombra. A idéia é outra. Trata-se apenas de dar ração leve para que o cerebelo esquerdo não pare de se comunicar com o frontal direito, o que encerraria em definitivo as operações. Miscelâneas são ao gosto. Faça a sua. O ataque do Flamengo no supercampeonato de 1958, os afluentes da margem direita do Amazonas, antigos nomes das ruas do Centro, o número de Helenas nas novelas de Manoel Carlos, formatos de beijos. Ponha tudo no liquidificador. Acrescente gelo, limão, cachaça. Se não der crônica, não esquente. Dá caipirinha. A minha sem açúcar.


Posted at 12:45 by editor
Comentários (2)  

27.1.06
MÚSICA

Paralelices
 
Desculpa te encher com essas besteiras, mas hoje eu estava pensando... Sabe o Rod Stewart? Então.
 
Ele está lançando uma série de CDs chamado "The Great American Songbook", só com belas canções populares americanas.
 
Daí, veja só, é mais ou menos o que o Emílio Santiago fez com aquela série de discos "Aquarela Brasileira". Rod está no volume quatro. Emílio chegou ao sete.
 
Mas o Rod Stewart não está muito para Emílio Santiago. Ele é mais uma espécie de Fábio Jr. yankee, com a voz rouquinha do Orlando Moraes.

Posted at 12:49 by editor
Comentários (2)  

INTERNET

Desinformação
 
      
 
"Catolicismo" ou "capitalismo"? Decide aí, GloboOn!

Posted at 12:28 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

JORNAL

O que era doce

A Globo não vai mais produzir “Fama”. A conclusão da direção da emissora é que o programa não obtém grandes índices de audiência, não fatura muito, nem lança ninguém. Portanto...


Cogut de hoje. O bom senso prevaleceu.  


Posted at 10:07 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

26.1.06
DIÁLOGO

Radical Chic
 
Mais um diálogo interessante.
 

Posted at 14:09 by editor
Comentário (1)  

DIÁLOGO

Psicoterismo

- Comprei um livro foda na banca, cara.

- Jura?

- Qual é o seu signo?

- Sei lá...

- Como não sabe?

- Não sabendo, ora...

- Quando você nasceu?

- Você não sabe?

- Não lembro... é setembro, né?

- Porra, cara... sacanagem....

- Outubro...

- Tsc, tsc, tsc...

- Agosto! Julho!

- Janeiro. Dia 9.

- Isso! Desculpa cara...

- Tá desculpado. Diz aí meu signo.

- Você é capricórnio.

- Sei... e daí?

- É aquele do veadinho, lembra?

- Eu mereço...

- Aqui diz que você seu signo representa a dureza, o recolhimento, a frialdade...

- O que é frialdade?

- É insensibilidade... frigidez...

- Eu, hein. E você acha isso de mim?

- Ah, cara... tá escrito aqui... Esse pessoal estudou muito sobre isso. É um conhecimento milenar!

- Mas e você? Concorda com o livrinho?

- Poxa... sei lá. Às vezes você fica aí, meio isoladão. Dá a impressão de que você não dá muita importância pro resto do mundo.

- Eu sou deprimido, cara. Você sabe disso. Não adianta ficar colocando a culpa no veadinho.

- Diz aqui também que você é afeito ao trabalho, e age sempre com seriedade.

- Isso lá é verdade... trabalho feito um filho da puta e só me fodo.

- É, cara... você está mesmo deprimido. Já foi no médico ver isso?

- Eu não sou maluco, porra. Vou a médico nenhum.

- Cara... deixa de ser bobo! Depressão é um problema de saúde, que nem uma gripe. E pra tratar precisa de médico e de remédio.

- Médico de maluco...

- Deixa de preconceito, cara!

- Cala a boca, sabichão... continua lendo essa merda aí.

- Tá bom, isoladão... Aqui diz: "Um capricorniano evita falar de seus sentimentos, mesmo perante seus poucos amigos mais próximos".

- Cê me acha isoladão mesmo?

- Que isso, cara... me dá aqui um abraço...

- Ei! sai pra lá!

- Vem, neném! Chacoalha aqui nos meus braços, vem!

- Vá de retro, satanás!


Posted at 13:46 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

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