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26.1.06
DIÁLOGO

Radical Chic
 
Mais um diálogo interessante.
 

Posted at 14:09 by editor
Comentário (1)  

DIÁLOGO

Psicoterismo

- Comprei um livro foda na banca, cara.

- Jura?

- Qual é o seu signo?

- Sei lá...

- Como não sabe?

- Não sabendo, ora...

- Quando você nasceu?

- Você não sabe?

- Não lembro... é setembro, né?

- Porra, cara... sacanagem....

- Outubro...

- Tsc, tsc, tsc...

- Agosto! Julho!

- Janeiro. Dia 9.

- Isso! Desculpa cara...

- Tá desculpado. Diz aí meu signo.

- Você é capricórnio.

- Sei... e daí?

- É aquele do veadinho, lembra?

- Eu mereço...

- Aqui diz que você seu signo representa a dureza, o recolhimento, a frialdade...

- O que é frialdade?

- É insensibilidade... frigidez...

- Eu, hein. E você acha isso de mim?

- Ah, cara... tá escrito aqui... Esse pessoal estudou muito sobre isso. É um conhecimento milenar!

- Mas e você? Concorda com o livrinho?

- Poxa... sei lá. Às vezes você fica aí, meio isoladão. Dá a impressão de que você não dá muita importância pro resto do mundo.

- Eu sou deprimido, cara. Você sabe disso. Não adianta ficar colocando a culpa no veadinho.

- Diz aqui também que você é afeito ao trabalho, e age sempre com seriedade.

- Isso lá é verdade... trabalho feito um filho da puta e só me fodo.

- É, cara... você está mesmo deprimido. Já foi no médico ver isso?

- Eu não sou maluco, porra. Vou a médico nenhum.

- Cara... deixa de ser bobo! Depressão é um problema de saúde, que nem uma gripe. E pra tratar precisa de médico e de remédio.

- Médico de maluco...

- Deixa de preconceito, cara!

- Cala a boca, sabichão... continua lendo essa merda aí.

- Tá bom, isoladão... Aqui diz: "Um capricorniano evita falar de seus sentimentos, mesmo perante seus poucos amigos mais próximos".

- Cê me acha isoladão mesmo?

- Que isso, cara... me dá aqui um abraço...

- Ei! sai pra lá!

- Vem, neném! Chacoalha aqui nos meus braços, vem!

- Vá de retro, satanás!


Posted at 13:46 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

23.1.06
JORNAL

Um velho traficante costumava me dizer... ou é bandido ou é band'aid... ou é crime ou é creme.
 
Bandido morre de infarto dentro do carro que queria roubar
 
Ana Cláudia Costa - O Globo
 
RIO - Um bandido ainda não identificado morreu no início da manhã desta segunda-feira de mal súbito quando tentava roubar um carro na Rua Rainha Elizabeth, em frente ao número 596, esquina com Rua Xavier Leal, em Copacabana. Segundo um morador do local, o bandido arrombou o carro, destruiu o painel do automóvel, retirou o aparelho de CD e morreu.

Posted at 13:36 by editor
Comentários (6)  

18.1.06
HORÓSCOPO

Astros

"Talvez você resolva retomar empreendimentos e projetos que tinha deixado meio de lado. Criatividade e disposição, garantindo um alto astral no trabalho. Dê um trato também na sua vida afetiva: a pessoa amada ficaria magoada caso se sentisse trocada por amigos ou excesso de trabalho".

É, Rosangela. Valeu pelas dicas. Como vai seu filho? Fanático por filosofia ainda?


Posted at 14:29 by editor
Comentário (1)  

JORNAL

Na frente
 
Qual é a diferença entre desenvolvidos e subdesenvolvidos? Na arte, ela não existe. Como já disse aqui, eu sou fã incondicional de um site que mostra a grande maioria das primeiras páginas de todo o mundo, todos os dias.
 
É só dar uma olhada na primeira página dos principais jornais dos Estados Unidos - The New York Times - e do Brasil - Folha de S. Paulo - para ver a diferença. O NYT parou no tempo, enquanto damos show de evolução gráfica. 
 
 
 

Posted at 11:31 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

17.1.06
TELEVISÃO

Mais do mesmo...
 
Ainda sobre BBB, é impressionante o abismo entre os participantes escolhidos pela produção e os sorteados pelo telefone, retrato mais fiel do que é realmente o povo brasileiro. O principal vale é o da aparência e da auto-estima.
 
Na chamada "pergunta da casa", os participantes foram questionados sobre com quem ficariam e com quem nunca ficariam na casa. Na segunda pergunta, nada menos que 11 dos 14 votos possíveis foram ou para Mara ou para Agustinho. Ou seja, os participantes do povo não tem a menor chance de se dar bem na casa.
 
Estão fora do "padrão Globo" de qualidade.

Posted at 14:57 by editor
Comentário (1)  

TELEVISÃO

Redentor
 
Dentro da mesmice do Big Brother Brasil 6, está pintando uma barbada.
 
 
O rapaz tem tudo o que estava faltando na casa.
 
Quando todos os corpos eram perfeitos, chegou o gordo, mistura de Danny DeVito com Léo Jaime.
 
Quando todos pareciam ter lugar ao sol, chega o verdadeiro necessitado.
 
Quando todos tinha histórias mornas, chega um cara com um verdadeiro drama (nos jornais).
 
Quando ninguém conseguia fazer rir, chega o malandro espirituoso.
 
Quando o BBB parecia se tornar um show de marionetes - promessa da pior edição do programa - chega "o cara", fazendo graça e tirando onda.
 
Já sou Augustinho Futebol Clube.

Posted at 13:25 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

16.1.06
FRASES

Trechos de "A paixão segundo G.H."
 
Garimpo do Anjos de Prata.
 
"Segura a minha mão, porque sinto que estou indo".
 
"A vida, meu amor, é uma grande sedução onde tudo o que existe seduz".
 
"Eu já havia experimentado na boca os olhos de um homem e, pelo sal na boca, soubera que ele chorava".
 
"Deste-me inocentemente a mão, e porque eu a segurava é que tive coragem de me afundar".
 
"Vou te dizer que eu te amo".
 
"Espera por mim. Sei que estou indo para alguma coisa que dói porque estou perdendo outras".
 
"E então adoro".
 
Boa segunda-feira para você.

Posted at 10:34 by editor
Comentários (2)  

POESIA

Meu primeiro beijo em Clarice Lispector

Oz

Não uma crônica.
Não um conto.
Não.

Uma declaração de amor.
Sim.

Do amor que ainda ostenta na graça
a marca do primeiro beijo.

O primeiro beijo
ou o primeiro livro,
aberto e lido pela alma,
já não vejo diferença.

O beijo,
A Paixão Segundo G. H.

A Paixão segundo Clarice...
Ah, Clarice!

Tu sabes,
só tu,
do sal nos meus olhos.
Porque em teu formato de livro,
beijaste-os.

Tu sabes,
só tu,
do sal no meu coração.
Porque em teu formato de memória,
beijaste-o.

Tu sabes, meu amor.
Sabes da paixão que me arrebata.
Sabes da paixão que não pode ser.

E isso dói...

Sabes daquela a quem um dia beijei.
Beijei em meu formato de livro.
Beijei em meu formato de memória.


Posted at 10:33 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

15.1.06
PROSA

O primeiro beijo
 
Clarice Lispector
 
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.


Posted at 23:59 by editor
Seja o primeiro a flanar!  

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